domingo, 2 de agosto de 2009



Despi minh’alma para o último sentimento sepultado no coração.
O desafeto.
Recebi-o de braços abertos, e que se fizesse festa dentro em mim
por uma e última vez.
Mas era o desafeto... Queria algo de mim que não o podia dar-lhe.
Então roubou-me.
Traiçoeiro.
Supliquei-te: Traga-me de volta, devolva-me o que levaste de mim, sem piedade.
Ouvi o eco na escuridão. Querias matar-me, por certo.
Não era imortal, nem era mortal. Não era a sombra, o vazio. Era o nada.
Supõe que faças uso do que me pertence contra mim?
Lembre-se de que conheço perfeitamente as armas que agora detém.
Eram minhas.
Não fui ingênua ao oferecer-te abrigo. O fiz porque era preciso.
Não houve sacrifício, houve veracidade.
Era apenas o último sentimento.
Não era nada.

Esta noite, deixarei minha porta aberta...

quinta-feira, 2 de julho de 2009


Póstumo

Não restou mais nada... De nada.
Não havia mais solidão...
Nem tristeza...
Nem o vazio...
Não havia mais lágrimas, nem medo, nem escuridão...
Cessou-lhe as palavras, os sentimentos, a emoção...
Esgotaram-se as esperanças...
Os pensamentos...
Os sons, as batidas...
Do coração.
Do coração...
Então não digo nada, com coisa alguma.
Repito: “Nada, com coisa nenhuma”.



Ps. Minhas condolências à minha alma morta.

“Se alguém perguntar por mim,
Diga que só vou voltar
Quando puder me encontrar...”

terça-feira, 16 de junho de 2009



Palavras que amo... todas.
(Quase todas)!
Cultas, ocultas, abstratas, sozinhas, acompanhadas...
Nas entrelinhas, caladas.
Reticentes, entre parênteses
Sussurradas...
Ensandecidas, efêmeras, enfadonhas, evasivas...
Desmazeladas...
Difusas, confusas, tolas, capciosas, provocáveis...
Amargas... (e nem tanto)...
Instáveis...
Censuradas...
Aleatórias, estúpidas, bem ditas, malditas, infinitas...
Vãs...
Melancólicas...
Letárgicas...
Nostálgicas...
Sádicas...
Amo-as. Amo-as!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

.
A noite se foi de dentro de mim, amanheci.

sábado, 16 de maio de 2009



Não sei mais escrever, perdi o jeito. Não pretendo mais escrever como °Broken° escrevia seus lamentos e chorava suas lágrimas de sangue, pretendo eu escrever os meus próprios lamentos e minhas próprias lágrimas.
Não sei ser mais a °Broken° (que deveria ser apenas uma personagem e não foi), nem ela sabe mais ser a mim. Pretendo agora, escrever um pouco da minha alma verdadeira, da minha dor verdadeira e da minha tristeza verdadeira.
°Broken° ficará no passado ...ela não será acordada para sofrer as somas das minhas dores. Uma de mim já basta. Sofrimentos múltiplos não me apetecem.
Não somos a mesma pessoa, mas somos iguais. Eu e ela.
Escrevo por intuição.
Sou tão demente quanto ela, apaixonada pelo nada e pelo vazio.
Nesses “espaços” não há dor.
No vazio não há dor...
Queria estar lá...

sexta-feira, 24 de abril de 2009



Certas vezes o passado toma minha mão e diz:
“Segue-me!”

À aquela parte do tempo que ficou para trás, a tudo o que está no período anterior a este, ao agora, me chama a caminhar consigo...
Dizem ser a presença do passado, no momento presente, um afrouxo das defesas. Mas quem disse que era, ou sou, ou serei forte?
Não me apetece reviver a dor, mas é involuntário que não consiga esquecer.
Lamento apenas que dentre tantos relatos de dias e noites de sofrimento, houvesse momentos de extrema plenitude. Sofrimento e dor deveriam ser descartados da lembrança, deixados a esmo em algum lugar do passado. Perdidos.
Que se houvesse apenas a reminiscência do que nos foi de todo agraciado.
Meu soturno lamento provém do fato de que a sinopse das minhas lembranças contém meus mais profundos infortúnios inclusos.
Impossível permanecer imparcial a este estado intrínseco do meu ser.
Ali atrás, no meu passado conturbado, possivelmente eu dissesse ou até gritasse desesperada e amarguradamente:
“Não! Vás embora de mim! Deixe-me me paz!”

Hoje é bastante possível eu dizer calma de dominantemente:
“Sim, vamos”...

segunda-feira, 13 de abril de 2009



Libertastes-te de mim.
Libertastes teu peito de mim sem sentir.
Lentamente, tu viraste as costas e
Afastastes como se não existisse nada mais para olhar...
Como se não fosse tu quem o eras.
Teu corpo já não sentia mais o meu... não mais
Tua mente, incapaz de pensar, de decifras teus sentimentos tão contraditórios
Seguiu em frente. À tua frente.
...
Petrifiquei-me pelo misto de emoções.
Fui incapaz de voltar atrás.
E te pedir que me desta tua mão e assim ficasse para sempre comigo.
Você estava livre.
Livre de mim...
Para sempre...
...
Conseguiste finalmente o que tanto eu busquei.
Perdoa-me, porque não soube ser tão forte quanto tu foste.

quarta-feira, 8 de abril de 2009



°Broken° infelizmente terá que partir...
°Broken° foi uma criatura imune a tudo e a todos...
Nada podia atingi-la ou tocá-la...
Era enigmática, efêmera, impulsiva, intuitiva, imperiosa, intensa, irônica...
Incontrolável... e tanto mais “es” e “is” lhe coubesse.
Mas houve que °Broken° em toda a sua magnitude e inacessibilidade... Foi-se tornando sensível, frágil... quase “tocável”...

Então °broken° foi contaminada...

Tornou-se vulnerável,
“Quebrável”...
°Broken° se machucou...
Onde havia uma força inesgotável e incontestável, restaram apenas pedaços e lembranças de um tempo de propensão.
A essência permanece...
Os segredos também...
Um tempo harmonioso e distinto, como nenhum outro...
Um tempo de riqueza, conhecimento e encantamento...
°Broken° não é uma fênix que renasce das cinzas,
°Broken° é uma experiência surpreendentemente cativante, inigualável...
Uma personagem, que será lembrada por mim, por seus grandes feitos...
°Broken° foi meu lado obscuro... foi a minha dor...
Foi a parte mais negra e dolorosa de minha alma...
Uma parte que não existe mais...
...°Broken° ... Pedaços de uma alma...

segunda-feira, 30 de março de 2009



“Há que se calar para ouvir a alma falar...”

Tive meu tão desejado momento de silêncio.
Durante seu ápice, obtive o prazer de apresenta-me
E conhecer-me novamente, nele (no meu silêncio).
Aquietei-me.
Finalmente.
Houve paz.
Mas o que há de durar para todo o sempre?
Há de durar uma vida inteira?
Há de perdurar durante o “meu tempo”?
O (meu) silêncio pode ser efêmero. A (minha) paz também.
Mas, a dor se foi. Aquela que arrancava o sangue da alma.
Posso respirar agora.
Meus fantasmas descansam em paz. Não quero acordá-los...
Deixe-os repousar em seu leito de glória.
Apenas por um instante...
Esse instante!
“Nada consegue ser tão bom e perfeito
a ponto de dissolver a tristeza que habita minh’alma...”

Ps. Mas houve alguém que enfrentou e calou meus fantasmas.
Por mim...

terça-feira, 24 de março de 2009



Estou a tanto tempo tentando
“acertar-me”, pôr-me em ordem, alinhar-me...
Estou corrigindo-me, vigiando-me, torturando-me o tempo todo... Simplesmente para saber onde eu pequei?
Sim, sei dos meus pecados, dos velhos pecados, daqueles que jamais serão perdoados,
Não são esses que corroem meu juízo agora.
Refiro-me aos meus pecados inocentes, àqueles que eu deixei minha alma cometer suicídio
Àqueles que eu permiti em inverdades anunciar-se e tomar conta do que restou de mim....
Mas onde foi que eu pequei? Será que eu perdi essa parte?
Não é o limite da perfeição, é apenas o início da razão.
Rega-me com palavras das quais eu sempre pude me fortalecer. Se delas não posso mais sugar meu alento, então desisto do mundo!
Temo que meus pecados não sejam só meus...Só faço “parte” deles.
Ps. Não é tão engraçado quanto parece ser...

sexta-feira, 20 de março de 2009


Quando venho... e a tempos não venho, venho ao meu "canto" do lamento,
Entoar uma melodia desconhecida, dissonante, irritante.
Venho expor a face oculta, venho finalizar um processo, venho ver a chuva passar.
Para lavar a alma, umedecer os pensamentos, regar a demência.
Venho sair de dentro de mim só para me analisar, me criticar, me esvair.
Sumir.

segunda-feira, 16 de março de 2009


Vontade de poesia...
De sentir-me mais feminina...
De gozar e lambuzar...
Vontade de sentir um abraço apertado...
Um beijo molhado...
Uma vibração entre as coxas...
Um surrurro acanhado...
Um toque suado...
Vontade de sentir-me mulher...
Poesia...
Sedução...
Vontade de sentir um pouco mais...
Paixão.
(°Broken°)
...
"Eu sou aquela que pede licença para viver
e se desculpa em seguida.
Me sobram pés e mãos e atravesso a vida
sem bolsos e descalça.
Sem me desviar das situações.
Eu sou aquela que se lambuza no caramelo
e tropeça na saia do vestido curto.
Quando gritam na rua : - Olha ela!
Sou eu que me viro.
Sempre troquei as bolas,
Sempre ri fora de hora.
Como a vida sem saborear,
passo a mão sem explorar o tato,
amo sem gorjeio.
Me exponho na esperança de secar o poço.
E ser tão normal quanto a minha vizinha,
que engole seus sapos, com dignidade."
(Joana Fomm)

... e mais:

Eu
Eu ...

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,
e desta sorte
Sou a crucificada ...
a dolorida ...
Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte

"Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê..."
Sou talvez a visão que

Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!
(Florbela Espanca)

terça-feira, 10 de março de 2009



1. Eu compreendi que sempre haverá dor...
Eu compreendi que minhas marcas e cicatrizes sempre estarão em lá,
que, em um ou dois momentos de alegria e plenitude eu me esquecerei
delas, mas contudo, ao primeiro sinal de sofrimento, elas serão lembradas
E com elas virão a dor e o constrangimento. Não sei mais como devo agir.
Perdi-me mais uma vez...
...
2. Estou começando a sentir que meu lugar é verdadeiramente a escuridão.
Nesse universo eu posso lutar de igual para igual contra meus monstros...
Sinto-me forte..., inatingível... e assim o é.
Posso esconder-me onde eu desejar,
Posso enfrentar quem e o que eu desejar...
Posso ser quem eu quiser ser... posso esquivar-me sem que se possa notar,
Posso dominar, posso rir... posso chorar...
...
3. Sei que nesse universo nada haverá de pegar-me de surpresa.
Sempre estarei pronta!
Porém,
Diante da luz,
Sou frágil... Estou exposta com todas as minhas dores e feridas...
Sei que,
Onde há luz, nem sempre há felicidade...
Simplesmente porque a luz clareia a vida (e os monstros que ela contém)
E isso pode não ser extamente o que se espera encontrar...
...
4. Por vezes a luz mostra a parte mais mundana e nojenta das pessoas!
Mostra a verdade!

(°broken°)

sábado, 7 de março de 2009



Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Não tomes estas palavras para si...
São apenas lamentos de Vinícius de Moraes.
Se fossem tomadas por ti, seriam a mim colocadas,
pois essa "ausência" deveria ser minha...
Deveria ser o "meu silêncio"...
Deveria ser o "meu vazio"...
E sim... deveria ser esse, o "meu nada".
(°Broken°)

segunda-feira, 2 de março de 2009



Cansei-me de tanto eco...
De tantos que eu pronunciava e voltavam a mim... imutáveis
Deixa-me agora...
Em meu silencio...
Preciso dele tanto quanto preciso do ar para respirar!
Preciso aquietar-me a mente e colocar ordem o caos de uma vida.
Um instante de paz...
Aprecie-me também em meu silêncio, não se torture por não encontrar as minhas respostas sempre, onde e quando você desejar tê-las simplesmente para satisfazer seu íntimo...
Elas estarão em algum lugar, longe de mim talvez... Perdidas talvez... Mas ainda existirão.
Se estou em meu silêncio, não cabe dizer que estou “ausente”...
Significa que, nesse momento, especialmente nesse, preciso de “espaço” para encontrar-me.
Deixe agora encher-me com um pouco do nada...
Deixe agora ecoar apenas um grito mudo nesse nada... O meu.
Para libertar-me... Para saciar-me...
Para encontrar-me... Para aquietar-me!
“Há que se calar para ouvir a alma falar...”

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009



Vivo (sobrevivo) num lugar entre o céu e a terra.
Um lugar mágico, onde acontecimentos inacreditáveis se tornam reais.
Um lugar onde coloco como oferenda minha vida,
Desejando em troca apenas o ar para respirar...
Onde eu posso abrir meus olhos
E vislumbrar a criação e as criaturas...
Onde posso fechar meus olhos
E viajar em sonhos, em pensamentos...
Onde repousa meu corpo e minha alma...
Onde há sofrimento, angústia, dor...
Onde há carinho, amizade... amor...
Onde tudo o que possuo, pertence a terra.
Das lágrimas, aos anos de uma vida, de um objeto
Que escapa da mão à vida...
Naturalmente a gravidade da terra “quer” tudo, para si...
Mas há o céu, que tende a “querer”
Um pouco de mim... O a terra não tem o poder de absorver:
Minha alma... e o que nela contém.
Pensamentos, lembranças, sentimentos.
Quem nunca ouviu a expressão: “voar em pensamentos”...
De uma forma lúdica, alma é leve o suficiente para ir além,
Ou onde desejar.
Assim, enquanto sobrevivo, pertenço a esses dois mundos...
Meu corpo a terra, minh’alma ao céu.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009



Hoje, apetece-me falar sobre o dia que finda...
Hoje, apetece-me falar sobre o crepúsculo do entardecer...
Daquele instante em que o azul do céu se mistura a escuridão da noite...
Hoje, apetece-me falar de mim...
Da agonia da luz e das sombras que lutam por um instante de minh’alma...
Um instante... só um.
É nesse “instante” que me sinto feliz...
Onde a luz e a escuridão são permitidas coexistirem no mesmo lugar, ao mesmo tempo...
Onde posso enxergar minhas alegrias do passado misturadas à tristeza e a dor do meu presente...
Onde posso contrapô-las e avaliá-las...
Onde posso ser capaz de sorrir e de chorar... e até de esquecer...
Por um instante... ao menos um.. apenas um.
No instante em que o azul do céu da minha alma se mistura a escuridão da dor da minha tristeza...
Desejo ardentemente ser plenamente feliz... Como já fui um dia.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Não me acordes do meu pesadelo... e eu não o acordarei do teu sonho.
Mas se me acordares sem previstos, não te assustes nem por mim, nem por ti...
Serão apenas meus fantasmas perturbando teu sono.
Minha tristeza que é involuntária, não se culpe por ela... e eu não culpar-me-ei. Então, assim o será e assim estará tudo bem!
Nada consegue ser tão bom e perfeito a ponto de dissolver a tristeza que habita minh’alma. Tudo está sempre insuficientemente inacabado, imperfeitamente vazio...
Minha tristeza é só minha. Sou apenas “eu”. Clausura de mim mesma!
Só (não solidão), apenas silêncio...
(°broken°)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009


...tá doendo. Chorei a noite toda...
Sem mais.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

“Onde há sofrimento há terreno sagrado.”
Aqui jaz minha alma...

Sinto-me frágil, parece que vou quebrar ao menor toque...
Ou a qualquer palavra.
Falta-me força para continuar.
Por que? Se tudo parecia bem!
Parecia...
Caminhos tortuosos que me confundem, ou apenas querem
Que eu simplesmente não esqueça que existe amor e felicidade
Em algum lugar...
Mas onde?
Será um crime buscar a plenitude?
Ao menos a plenitude do meu ser...
Uma alma foi dilacerada e grita desesperadamente pela libertação!
Incansavelmente busco um lugar onde posso deixar minhas letras sangrando... descansando do sofrimento da lembrança...
Deixo minhas letras, palavras, pensamentos e alma aqui!
“Onde há sofrimento há terreno sagrado.”
Aqui jaz minha alma...